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Comunicar-se é socializar-se

Não fosse a capacidade de se comunicar e, em se comunicando, aprimorar seus conhecimentos e suas descobertas, o homem, provavelmente, ainda viveria nas cavernas, utilizando-se apenas de ferramentas rudimentares para suas atividades de vida cotidiana.


Ao se comunicar, homens e mulheres transmitem idéias, desejos, descobertas, reflexões, crenças, em um movimento contínuo de trocas. Isto significa dizer que cada ser humano está rodeado pelo seu ambiente físico, mas, especialmente, pelo seu ambiente social, composto por pessoas com as quais ele mantém relações de interdependência (BORDENAVE, 1991).


Comunica-se a criança que chora no berço. Comunica-se aquele que frequenta uma sala de aula com presença percentual obrigatória, tanto quanto aquele que acessa um determinado site e assimila conteúdos virtuais na modalidade de educação à distância. Comunica-se aquele que entra em uma loja e faz compras presenciais, tanto quanto se comunica aquele que navega na internet e faz compras eletrônicas.


Comunicar-se é socializar-se. Desde os primeiros ensinamentos transmitidos (comunicados) pelos pais, a pessoa já vai obtendo recursos pessoais de socialização e, portanto, de inserção social e de comunicação com seus semelhantes.


O importante na comunicação interpessoal é que não haja “ruídos”, ou seja, variáveis e/ou fatores que possam impedir a verdadeira comunicação, não permitindo que o receptor capte a real mensagem do emissor. Daí a necessidade de se buscar meios de comunicação eficientes e eficazes, pois o sucesso da comunicação não depende apenas da forma como ela é transmitida, mas fundamentalmente, da compreensão exata da mensagem e de seu respectivo significado.


Ferrandini (2009) aponta o que chama de “bases da comunicação”, construindo algumas regras, a saber:


a)      saber ouvir com atenção absoluta e sem interrupções desnecessárias;


b)      evitar termos técnicos e/ou gírias – linguagens que podem atrapalhar a eficácia da comunicação;


c)      esclarecer o mais detalhadamente possível as próprias idéias, em primeiro lugar, para si mesmo, pois só assim poderá transmiti-las com mais propriedade;


d)      ter clareza sobre quem são as pessoas a quem irá se dirigir a mensagem;


e)      compartilhar a qualidade que se deseja para a comunicação a ser realizada;


f)       compartilhar os resultados da comunicação já realizada (feedback).


Na visão de Bordenave, é impossível não comunicar. O próprio silêncio, muitas vezes, comunica. Em determinadas situações, o que a palavra não diz (a palavra não pronunciada) é dito pelas mãos ou pelo olhar.


Embora a comunicação ocorra nas mais diferentes formas, como já referido, o que se observa é o aumento crescente de formas virtuais de relacionamento entre as pessoas. Isto quer dizer que esse relacionamento se dá “sem que as pessoas estejam nos escutando, nos vendo e sequer saibam se realmente somos quem descrevemos” (AMARAL, 2008).


E, se for levado às últimas conseqüências, hoje as pessoas compram mercadorias (bens tangíveis ou intangíveis) apenas por uma comunicação estabelecida entre fornecedor e consumidor pela via da tela do computador ou de um telefone celular. Eis o chamado comércio eletrônico - E-commerce e M-commerce – relações virtuais (comunicação) entre quem vende e quem compra.


A inserção dos negócios nos meios de comunicação virtual representa, para um sistema produtor de mercadorias, o maior acontecimento depois da revolução industrial do século 19. No dizer de Tony Blair (s/n), “se a internet não for vista agora (1999) como uma oportunidade para novos negócios, será vista, em breve, como uma ameaça.”


Você já refletiu sobre isso quando pensa nas suas relações comerciais? Se não pensou, está no momento exato de pensar!


Luciana Berg

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